Anna Karenina (idem), 2012. Diretor: Joe Wright. Roteirista: Tom Stoppard. Baseado no livro de: Leon Tolstói.
Depois
do fracasso com seu último filme Joe Wright volta gênero que o consagrou em
Hollywood: os dramas de época. Baseado em um livro homônimo do romancista russo
Leon Tolstói, a história gira em torno de um caso extra-conjugal da personagem
Anna Karenina com o Conde Vronsky durante o auge do período imperial russo no
século XIX e mais uma vez ele retoma a parceria com sua atriz fetiche Keira Knightley
no papel principal e um elenco coadjuvante estrelar como Matthew
Macfadyen fazendo o irmão da personagem título, Jude Law
interpretando o marido Alexei Karenin e Aaron
Taylor-Johnson como o amante. Além de várias pontas de luxo como Kelly
Macdonald, Michelle Dockery e Emily Watson.
Optando
por contar a história de uma forma não-tradicional o diretor faz passar grande
parte da narrativa do filme como se os personagens estivessem dentro de um teatro,
seja na platéia, nos palcos ou nos bastidores. Joe Wright tinha nessa idéia
passar uma própria metáfora da sociedade aristocrática russa do século XIX, já
que em sua concepção todos os membros dessa alta sociedade estavam sempre representando
algo ou alguém. A idéia funciona em boa parte do filme e consegue umas
seqüências realmente espetaculares, como a da corrida de cavalos. O grande
problema do filme é o formato caricato que os personagens têm, certas
seqüências se trocassem a trilha sonora virava um sitcom do tipo Modern Family.
Fora o fato de um filme com duas horas de duração ter um clímax final tão fraco
e insosso, Keira Knightley e Aaron Johnson não conseguem convencer em momento
algum nos papéis que estão interpretando apesar dos esforços de seus
companheiros de tela, o que prejudica muito a parte final do filme que exige
tanto de ambos. Os principais méritos vêm dos aspectos técnicos, por exemplo, as
cenas do primeiro baile, que muitíssimo bem conduzidas criam um grande balé que
aliados ao figurino de Jacqueline Durran, que trabalha com o diretor desde
Orgulho & Preconceito, reconstrói toda a pompa e glamour da alta nobreza
russa. A trilha sonora de Dario Marianelli se inspira nas composições de
clássicos da música russa como Tchaikóvski e Rachmaninoff e mantêm a característica de
colocar elementos do próprio filme em sua música criando a singularidade de
suas composições. Pela opção estética que o filme toma, não são feitas muitas
cenas externas o que sempre cria a sensação de isolamento e alienação por parte
dos personagens, as poucas cenas são algumas partes que se passam no campo e
ainda assim é criada uma visão bastante teatral marcada por cores fortes e
movimentos sincronizados.
O
filme tropeça na própria ambição de Joe Wright que ao tentar criar um épico que
rompesse com as concepções do gênero cai em um ritmo enfadonho e a única
lembrança que fica é o bigode do Aaron Johnson.
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