domingo, 17 de fevereiro de 2013

Anna Karenina


Anna Karenina (idem), 2012. Diretor: Joe Wright. Roteirista: Tom Stoppard. Baseado no livro de: Leon Tolstói.              

            Depois do fracasso com seu último filme Joe Wright volta gênero que o consagrou em Hollywood: os dramas de época. Baseado em um livro homônimo do romancista russo Leon Tolstói, a história gira em torno de um caso extra-conjugal da personagem Anna Karenina com o Conde Vronsky durante o auge do período imperial russo no século XIX e mais uma vez ele retoma a parceria com sua atriz fetiche Keira Knightley no papel principal e um elenco coadjuvante estrelar como Matthew Macfadyen fazendo o irmão da personagem título, Jude Law interpretando o marido Alexei Karenin e Aaron Taylor-Johnson como o amante. Além de várias pontas de luxo como Kelly Macdonald, Michelle Dockery e Emily Watson.
            Optando por contar a história de uma forma não-tradicional o diretor faz passar grande parte da narrativa do filme como se os personagens estivessem dentro de um teatro, seja na platéia, nos palcos ou nos bastidores. Joe Wright tinha nessa idéia passar uma própria metáfora da sociedade aristocrática russa do século XIX, já que em sua concepção todos os membros dessa alta sociedade estavam sempre representando algo ou alguém. A idéia funciona em boa parte do filme e consegue umas seqüências realmente espetaculares, como a da corrida de cavalos. O grande problema do filme é o formato caricato que os personagens têm, certas seqüências se trocassem a trilha sonora virava um sitcom do tipo Modern Family. Fora o fato de um filme com duas horas de duração ter um clímax final tão fraco e insosso, Keira Knightley e Aaron Johnson não conseguem convencer em momento algum nos papéis que estão interpretando apesar dos esforços de seus companheiros de tela, o que prejudica muito a parte final do filme que exige tanto de ambos. Os principais méritos vêm dos aspectos técnicos, por exemplo, as cenas do primeiro baile, que muitíssimo bem conduzidas criam um grande balé que aliados ao figurino de Jacqueline Durran, que trabalha com o diretor desde Orgulho & Preconceito, reconstrói toda a pompa e glamour da alta nobreza russa. A trilha sonora de Dario Marianelli se inspira nas composições de clássicos da música russa como Tchaikóvski e Rachmaninoff e mantêm a característica de colocar elementos do próprio filme em sua música criando a singularidade de suas composições. Pela opção estética que o filme toma, não são feitas muitas cenas externas o que sempre cria a sensação de isolamento e alienação por parte dos personagens, as poucas cenas são algumas partes que se passam no campo e ainda assim é criada uma visão bastante teatral marcada por cores fortes e movimentos sincronizados.
            O filme tropeça na própria ambição de Joe Wright que ao tentar criar um épico que rompesse com as concepções do gênero cai em um ritmo enfadonho e a única lembrança que fica é o bigode do Aaron Johnson. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário