domingo, 1 de setembro de 2013

Diane Arbus: (im)perfeições transparentes

Você vê uma pessoa na rua e, essencialmente, o que percebe nela é o defeito - Diane Arbus
      A fotógrafa Diane Arbus tinha 48 anos quando se suicidou em 1971 deixando para trás uma obra intrincada e ainda pouco admirada. De família judia, nascida e criada em Nova York, cresceu em um ambiente sem grandes dificuldades econômicas em contraponto a perturbada vida familiar com um pai ausente e a mãe que sofria de depressão. Aos 13 anos conhece o futuro marido Allan Arbus com quem se casa ao completar 18 anos. Casados, ele monta um estúdio de fotografia especializado em fotografias de moda onde Diane passa a trabalhar como sua assistente e cuidando da direção de arte dos figurinos e das modelos. 
Uma das coisas que me fizeram sofrer na infância foi que nunca experimentei a adversidade. Vivia confinada numa sensação de irrealidade. E a sensação de estar imune era, por mais absurdo que pareça, dolorosa.
        Foi Allan que deu a Diane sua primeira câmera e sempre que publicava suas fotos ele lhe dava os devidos créditos, assim mantinham a família composta por mais duas filhas. Apoiada pelo marido, se dedicou cada vez mais a seus próprios caminhos dentro da fotografia, até que em 1956 foi convidada a participar da mostra Family of Man do Museum of Modern Art (MOMA). O casamento acabou em 1959, embora continuassem a ser amigos ele se muda para Los Angeles para tentar a carreira de ator, com a separação ela passa a se dedicar exclusivamente à fotografia e na década de 1960 suas fotografias passam a ganhar um ar mais sombrio, e é entre 1963 a 1966 que seu trabalho ganha um traço pessoal.
A maior parte das pessoas passam a vida com medo de passar por uma experiência traumática. Os freaks nasceram assim. Ele tem passado em seu teste na vida. Eles são aristocratas. 
O marginalizado social foi o tema mais recorrente de Diane Arbus, sua obra é povoada por anões, artistas de circo, travestis, nudistas, deficientes mentais ou simplesmente pessoas feias. Longe de querer promover um desenfreado show de horrores para entretenimento, ela trata seu tema com uma sensibilidade ímpar que não deixa rastros de sensacionalismo e que jamais se deixa levar por um tom apelativo. Ao retratar essas figuras ela vai escancarando um universo social que é constantemente velado vai conferindo a esses seres sociais uma transparência antes não reconhecida. Kendall Walton coloca que a fotografia exerce poder de transparência que outras representações visuais não conseguem; ele postula, por exemplo, que a pintura jamais poderá alcançar o grau de transparência da fotografia. O fato é que a pintura é uma atividade humana produzida à mão, essa é a diferença absoluta, o pintor retrata o mundo a partir de uma afiguração enquanto o fotógrafo captura o mundo de uma forma mais sincera ou como Susan Sotang coloca: “Uma foto equivale a uma prova incontestável de que determinada coisa aconteceu. A foto pode distorcer; mas sempre existe o pressuposto de que algo existe, ou existiu, e era semelhante ao que está na imagem.”
Se eu fosse apenas curiosa, seria muito difícil dizer a alguém ‘quero ir à sua casa, estimular você a falar e ouvir você me contar a história da sua vida’. As pessoas me responderiam: ‘Você é maluca'. Além do mais, ficariam muito precavidas. Mas a câmera é uma espécie de licença. Muita gente quer que prestemos a elas muita atenção e esse é um tipo razoável de atenção para se prestar. 
        Diane não se dava ao trabalho de criticar padrões de estética e beleza, através de sua obra ela ignorava estes sumariamente e se dobrava inteiramente em dedicação a sua obra até que em uma grave crise de depressão ela prepara um coquetel de pílulas e por fim dentro da banheira de seu apartamento corta os pulsos com uma lâmina no dia 27 de julho de 1971.

Conheça alguns dos trabalhos de Diane Arbus:

Child With a Toy Hand Grenade 


















                                                  


                        Young Man With Curles
















Man Being a Woman


















                                                                                                            Mexican Dwarf

















Albino Sword Sallower

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

As Duas Mulheres


As Duas Mulheres (La Ciociara), 1960. Dirigido por: Vittorio De Sica. Roteiro de: Vittorio De Sica e Cesare Zavattini. Baseado no livro de: Alberto Moravia. Com: Sophia Loren, Jean-Paul Belmondo e Eleonora Brown.

Dirigido pelo famoso diretor italiano Vittorio De Sica, de Ladrões de Bicicleta (Ladri di Biciclette), a produção franco-italiano As Duas Mulheres é um marco na história do cinema. O filme que revelou o talento de Sophia Loren mundo afora, ganhou o Oscar de Melhor Atriz, um ineditismo já que esta foi a primeira a conquistar o prêmio em um filme totalmente em língua não-inglesa. O filme conta a história de uma jovem viúva que mantêm um pequeno comércio de mantimentos na cidade de Roma durante a Segunda Grande Guerra Mundial. Alvo de vários bombardeios ela juntamente com sua filha adolescente trilha o caminho de vários outros, abandona as cidades e busca refúgio na região rural. Fruto dos temas do neo-realismo o filme fala da situação da população rural da Itália, a queda do regime fascista de Mussolini e os problemas recorrentes das invasões, tanto pelas forças nazistas quanto posteriormente pelas forças dos países Aliados.
O neo-realismo fora um movimento cinematográfico italiano que surgiu logo após a 2ª Guerra, marcado por um forte cunho político com caráter de resistência as influências estrangeiras. O movimento tem suas origens ainda dentro do regime fascista, aprendendo as técnicas de propagação ideológica vindas da Alemanha nazista, a Itália de Mussolini também vai reestruturar toda a produção artística do país com o objetivo de manter e propagar seus ideais políticos e partindo dessa indústria artística que se forma, vai se restringindo cada vez mais a entrada de produtos vindos do estrangeiro, principalmente os filmes hollywoodianos. Acabado a guerra as forças aliadas vão tomar grande parte do chamado Comitato di Liberazione Nazionale (Comitê de Libertação Nacional), governo provisório no período de transição e reestruturação política na Itália e então a Comitato Temporaneo per la Cinematografia (Comitê Temporário para Cinematografia) vai começar a propor uma série de leis que regulamentem e fortaleçam a indústria nacional. Então se dá o choque de forças internas e externas que vai se tornar a gênese do neo-realismo. Enquanto os grandes estúdios de Hollywood vão buscar apoio nos militares para firmarem novamente suas produções no país, por outro lado, os cineastas italianos vão tentar retomar suas produções antes vetadas pelos telefoni Bianchi (‘telefones brancos’, como ficaram conhecidos os filmes do regime fascista). Daí surge a característica marcante dos filmes neo-realistas: a tentativa de se obter o máximo da realidade pra os filmes fugindo das perspectivas escapistas de Hollywood. Os temas recorrentes nos filmes é o trabalhador comum das cidades, as dificuldades da vida camponesa, o desemprego, a fome, a situação econômica e política, etc.
O filme de De Sica vai então retratar o desespero da população ante as constantes ameaças de bombardeios e confrontos que se tornavam cada vez mais habituais nas cidades e o despreparo de migrantes que formavam pequenos aglomerados para fugir da guerra e que muitas vezes passavam fome pela dificuldade em cultivar ou mesmo a escassez de alimentos. O filme ainda traz as conseqüências da Batalha de Monte Cassino ou A Batalha de Roma, que de um ponto estratégico serviu para o avanço das Forças Aliadas para a capital Roma e minar as principais bases das Forças do Eixo; e o registro de uma série de casos de estupros cometidos principalmente por soldados marroquinos que estavam nos exércitos aliados. Marcado por uma forte crítica aos regimes nazi-fascistas e a falta de ação política da própria população italiana, um filme intenso e marcante sobre a reconstrução de uma sociedade marcada e transformada pelos horrores da guerra. 

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

As Sessões

As Sessões. Direção e Roteiro: Ben Lewin. Com: John Hawkes, Helen Hunt, William H. Macy.
         
      “As Sessões” é basicamente um filme sobre a superação humana diante das limitações e barreiras da vida. O filme conta a história de Mark O’Brien que aos seis anos de idade contraiu poliomielite e desde então perde a capacidade de se movimentar do pescoço para baixo e necessita de uma enorme aparelhagem para garantir sua sobrevivência. O diferencial desse filme independente é que o diretor e roteirista Ben Lewin não tenta fazer um filme para dar a sensação de falsa compaixão ou de pena e cria uma estrutura narrativa bem leve e com alguns toques de comédia e o roteiro também não tenta manipular as emoções do espectador mantendo o mesmo curso narrativo durante todo o filme.

            Baseado em fatos reais o filme começa com uma rápida introdução mostrando O’ Brien (John Hawkes) entrando na universidade e depois corta para ele já adulto e trabalhando como jornalista e poeta até que um dia ele recebe a proposta de escrever um artigo sobre a vida sexual de pessoas com deficiência e de repente ele se vê em um entrave, ele é virgem. Entre as primeiras pesquisas e entrevistas para o artigo ele conhece a terapeuta sexual Cheryl (Helen Hunt) que vai ensiná-lo sobre consciência corporal e iniciá-lo na vida sexual. Criado dentro do catolicismo ele divide suas ânsias e intimidades com o padre Brendan (William H. Macy) que juntamente com seus dois ajudantes se tornam os amigos mais freqüentes na vida dele. O filme então passa a retratar as sessões (que a terapeuta explica, são limitadas) de sua jornada de descoberta sexual sem jamais querer transformar isso em algo constrangedor ou ridículo, tratando toda a situação com muita simplicidade e naturalidade.    

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Anna Karenina


Anna Karenina (idem), 2012. Diretor: Joe Wright. Roteirista: Tom Stoppard. Baseado no livro de: Leon Tolstói.              

            Depois do fracasso com seu último filme Joe Wright volta gênero que o consagrou em Hollywood: os dramas de época. Baseado em um livro homônimo do romancista russo Leon Tolstói, a história gira em torno de um caso extra-conjugal da personagem Anna Karenina com o Conde Vronsky durante o auge do período imperial russo no século XIX e mais uma vez ele retoma a parceria com sua atriz fetiche Keira Knightley no papel principal e um elenco coadjuvante estrelar como Matthew Macfadyen fazendo o irmão da personagem título, Jude Law interpretando o marido Alexei Karenin e Aaron Taylor-Johnson como o amante. Além de várias pontas de luxo como Kelly Macdonald, Michelle Dockery e Emily Watson.
            Optando por contar a história de uma forma não-tradicional o diretor faz passar grande parte da narrativa do filme como se os personagens estivessem dentro de um teatro, seja na platéia, nos palcos ou nos bastidores. Joe Wright tinha nessa idéia passar uma própria metáfora da sociedade aristocrática russa do século XIX, já que em sua concepção todos os membros dessa alta sociedade estavam sempre representando algo ou alguém. A idéia funciona em boa parte do filme e consegue umas seqüências realmente espetaculares, como a da corrida de cavalos. O grande problema do filme é o formato caricato que os personagens têm, certas seqüências se trocassem a trilha sonora virava um sitcom do tipo Modern Family. Fora o fato de um filme com duas horas de duração ter um clímax final tão fraco e insosso, Keira Knightley e Aaron Johnson não conseguem convencer em momento algum nos papéis que estão interpretando apesar dos esforços de seus companheiros de tela, o que prejudica muito a parte final do filme que exige tanto de ambos. Os principais méritos vêm dos aspectos técnicos, por exemplo, as cenas do primeiro baile, que muitíssimo bem conduzidas criam um grande balé que aliados ao figurino de Jacqueline Durran, que trabalha com o diretor desde Orgulho & Preconceito, reconstrói toda a pompa e glamour da alta nobreza russa. A trilha sonora de Dario Marianelli se inspira nas composições de clássicos da música russa como Tchaikóvski e Rachmaninoff e mantêm a característica de colocar elementos do próprio filme em sua música criando a singularidade de suas composições. Pela opção estética que o filme toma, não são feitas muitas cenas externas o que sempre cria a sensação de isolamento e alienação por parte dos personagens, as poucas cenas são algumas partes que se passam no campo e ainda assim é criada uma visão bastante teatral marcada por cores fortes e movimentos sincronizados.
            O filme tropeça na própria ambição de Joe Wright que ao tentar criar um épico que rompesse com as concepções do gênero cai em um ritmo enfadonho e a única lembrança que fica é o bigode do Aaron Johnson. 

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Memórias Fotográficas.


É inegável o poder da imagem fotográfica, uma fotografia tem amplos poderes. Ela pode mudar os rumos de uma guerra, pode significar a queda de um governo, pode comover milhões de pessoas ou simplesmente retratar algum aspecto banal da vida de alguém. A fotografia desde que se estabeleceu no mundo das artes tirou das pintura o status de “olho da história”; ela é antes de mais nada o testemunho da História, de uma história. A fotografia tem como uma de suas principais atribuições a construção da memória social, seja retratando a glória nazista na Alemanha ou um simples álbum de família, a foto é um ato nostálgico, não que queremos ser mergulhados no universo nazista novamente, mas, é a sensação de que o passado é palpável, ali diante do sujeito. A fotografia é a prova incontestável de que algo aconteceu (SONTAG, 2008). Não se ignora é claro o crescente uso de alterações digitais feitas em fotografias, o fato é que, do todo uma parte é real e sempre devemos levar em consideração que o ato de fotografar é limitado e pessoal sempre cabe ao observador perceber não só a visão do fotógrafo, mas também, identificar o que não foi captado na fotografia, o porque  daquele momento fotografado.

E, é partindo desse ponto onde o sujeito olha o passado e se identifica com ele no seu presente que surge a memória. Henri Bergson exemplifica esse complexo processo da memória a partir do chamado cone da memória. O cone funciona da seguinte forma: P é a realidade presente, A e B são as memórias e S é o ponto de contato entre memória e presente. Nesse ponto de convergência SAB é que se cria a memória, com o tempo AB se distancia de S, mas o contato com a realidade nunca é desfeito, porque não se pode perceber ela pura. A memória é sempre um chamado do presente, assim:

Esta presentificação da fotografia indica um movimento, no sujeito que a vê, de atualização de suas lembranças e, em um processo de contigüidade, de aprofundamento da fantasmagoria que invade a vida com recortes do passado não de todos visíveis na atualidade da foto. O que permite consolo ou tormento em quem se debruça nas impressões que a foto trás. (Koury, 2008)    

A memória é então, a presença do passado, a capacidade de reter idéias, sensações, impressões adquiridas anteriormente; é lembrar a própria lembrança. Outro teórico da memória foi o sociólogo francês Maurice Halbwachs, para ele a memória ganha o aspecto de estrutura social, a memória é sempre coletiva. Ela não deixa de ser uma atividade individual, mas, a construção da memória é determinada pelos grupos sociais que categorizam o que deve ser lembrado, para que os indivíduos se identifiquem socialmente. Partindo do código visual que a fotografia fornece, a memória vai fornecer um sentido, um contexto histórico para a imagem criando assim o fluxo da história. Que imagem melhor fornece um retrato do Brasil durante a ditadura militar de 1964 do que a de um jovem quase ao chão sob a mira do cassetete de dois policiais? A imagem que ilustra vários livros didáticos demonstra exatamente esse ponto de conexão entre memória – fotografia – história; refletindo as marcas desse período com extrema precisão. Ela também pode criar um ícone, um mito de inspiração, assim como o retrato de Che Guevara por Alberto Korda, passando da figura de líder guerrilheiro até se tornar um produto da cultura pop. A fotografia é então o que o antropólogo Mouro Koury chama de objeto de memória, que se apropria de uma determinada realidade dando a ela uma definição de suas ações.
Esse poder atemporal que a fotografia tem vai construindo ao longo da história uma complexa ideologia, muitas vezes mutável. Retomemos o exemplo da icônica fotografia de Che Guevara. Após a morte de Guevara a foto se tornou um símbolo da luta pelo socialismo, principalmente na América Latina, sempre ligada à idéia do sucesso obtido pela Revolução Cubana; logo após em meados das décadas de 1980/90 a fotografia ainda permaneceu como figura revolucionária, vinculada as lutas sociais, luta contra a pobreza e a desigualdade social, a diferença é que nesse momento vai se perdendo o teor socialista, como conseqüência da queda do regime da URSS e das denúncias de violações de direitos humanos e/ou civis em Cuba, depois a imagem vai ganhar o status de produto pop, de caricato por si (no filme A Taça do Mundo é Nossa do grupo humorístico Casseta & Planeta, Che é achado vivo e escondido na floresta amazônica comandando uma fabrica artesanal de camisetas estampadas com seu rosto). Hoje a imagem está ligada numa interseção desses três sentidos ideológicos, e é nessa permanência, fusão ou mutação, que o sentido da imagem fotográfica vai adquirindo, reformulando e excluindo suas impressões sensoriais sobre o mundo. Vai se formando a memória coletiva.
Mas a fotografia também pode ser colocada como objeto do esquecimento, podemos pensar nisso a partir de um ponto principal: o desenvolvimento tecnológico. Ao tornar possível uma massificação da fotografia, no sentido de que, o mundo-imagem passa a ganhar contornos ainda mais subjetivos. Ao tomar pra si a especificidade de fotógrafo o sujeito passa a construir a suas próprias idéias de mundo e a câmera digital leva essa idéia ao máximo. O não depender mais de um intermediário torna qualquer um fotógrafo, pode-se fotografar tudo, selecionar e dar acesso a qualquer pessoa através da internet e a idéia de expressar sua visão de mundo através da fotografia ganhou ainda mais força a partir das redes sociais. Essa grande mobilidade fornecida favorece o esquecimento, com a enorme quantidade de imagens que somos expostos diariamente não absorvemos todas elas, então deletamos momentos, sentimentos, situações, fotografias que nós revelam um passado que queremos ou optamos por esquecer. Esse ato quase divino, de intervenção sobre uma fração do tempo que nos dá essa ilusão, a doce ilusão de que podemos de alguma forma dominar e controlar o tempo. Então pra que serve a fotografia? Talvez Garry Winogrand tenha descoberto a melhor resposta pra isso: “Fotografo para descobrir como algo ficará quando fotografado”.


BOSI, Ecléa. Memória e Sociedade: lembrança dos velhos. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.

KOURY, Mauro Guilherme Pinheiro. Fotografia como objeto de memória: produto técnico e suporte ideológico na conformação do homem ocidental. Domínios da Imagem. Londrina: Ano I, nº 2, p. 101-106, maio de 2008.

SOTANG, Susan. Sobre Fotografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.