Você vê uma pessoa na rua e, essencialmente, o que percebe nela é o defeito - Diane Arbus
A fotógrafa Diane Arbus tinha 48 anos quando se
suicidou em 1971 deixando para trás uma obra intrincada e ainda pouco admirada.
De família judia, nascida e criada em Nova York , cresceu em um ambiente sem grandes
dificuldades econômicas em contraponto a perturbada vida familiar com um pai
ausente e a mãe que sofria de depressão. Aos 13 anos conhece o futuro marido
Allan Arbus com quem se casa ao completar 18 anos. Casados, ele monta um
estúdio de fotografia especializado em fotografias de moda onde Diane passa a
trabalhar como sua assistente e cuidando da direção de arte dos figurinos e das
modelos.
Uma das coisas que me fizeram sofrer na infância foi que nunca experimentei a adversidade. Vivia confinada numa sensação de irrealidade. E a sensação de estar imune era, por mais absurdo que pareça, dolorosa.
Foi Allan que deu a Diane sua primeira câmera e sempre que publicava
suas fotos ele lhe dava os devidos créditos, assim mantinham a família composta
por mais duas filhas. Apoiada pelo marido, se dedicou cada vez mais a seus
próprios caminhos dentro da fotografia, até que em 1956 foi convidada a
participar da mostra Family of Man do
Museum of Modern Art (MOMA). O casamento acabou em 1959, embora continuassem a
ser amigos ele se muda para Los Angeles para tentar a carreira de ator, com a
separação ela passa a se dedicar exclusivamente à fotografia e na década de 1960
suas fotografias passam a ganhar um ar mais sombrio, e é entre 1963 a 1966 que seu trabalho
ganha um traço pessoal.
A maior parte das pessoas passam a vida com medo de passar por uma experiência traumática. Os freaks nasceram assim. Ele tem passado em seu teste na vida. Eles são aristocratas.
O
marginalizado social foi o tema mais recorrente de Diane Arbus, sua obra é
povoada por anões, artistas de circo, travestis, nudistas, deficientes mentais
ou simplesmente pessoas feias. Longe de querer promover um desenfreado show de
horrores para entretenimento, ela trata seu tema com uma sensibilidade ímpar
que não deixa rastros de sensacionalismo e que jamais se deixa levar por um tom
apelativo. Ao retratar essas figuras ela vai escancarando um universo social
que é constantemente velado vai conferindo a esses seres sociais uma
transparência antes não reconhecida. Kendall Walton coloca que a fotografia exerce
poder de transparência que outras representações visuais não conseguem; ele
postula, por exemplo, que a pintura jamais poderá alcançar o grau de
transparência da fotografia. O fato é que a pintura é uma atividade humana
produzida à mão, essa é a diferença absoluta, o pintor retrata o mundo a partir
de uma afiguração enquanto o fotógrafo captura o mundo de uma forma mais
sincera ou como Susan Sotang coloca: “Uma foto equivale a uma prova
incontestável de que determinada coisa aconteceu. A foto pode distorcer; mas
sempre existe o pressuposto de que algo existe, ou existiu, e era semelhante ao
que está na imagem.”
Se eu fosse apenas curiosa, seria muito difícil dizer a alguém ‘quero ir à sua casa, estimular você a falar e ouvir você me contar a história da sua vida’. As pessoas me responderiam: ‘Você é maluca'. Além do mais, ficariam muito precavidas. Mas a câmera é uma espécie de licença. Muita gente quer que prestemos a elas muita atenção e esse é um tipo razoável de atenção para se prestar.
Diane não se dava ao trabalho de criticar
padrões de estética e beleza, através de sua obra ela ignorava estes
sumariamente e se dobrava inteiramente em dedicação a sua obra até que em uma
grave crise de depressão ela prepara um coquetel de pílulas e por fim dentro da
banheira de seu apartamento corta os pulsos com uma lâmina no dia 27 de julho
de 1971.
Conheça alguns dos trabalhos de Diane Arbus:
Child With a Toy Hand Grenade
Young Man With Curles
Man Being a Woman
Mexican Dwarf
Albino Sword Sallower







