As Duas Mulheres
(La Ciociara ),
1960. Dirigido por: Vittorio De Sica. Roteiro de: Vittorio De Sica e Cesare Zavattini.
Baseado no livro de: Alberto Moravia. Com: Sophia Loren, Jean-Paul Belmondo e Eleonora
Brown.
Dirigido pelo
famoso diretor italiano Vittorio De Sica, de Ladrões de Bicicleta (Ladri
di Biciclette), a produção franco-italiano As Duas Mulheres é um marco na história do cinema. O filme que
revelou o talento de Sophia Loren mundo afora, ganhou o Oscar de Melhor
Atriz, um ineditismo já que esta foi a primeira a conquistar o prêmio em um
filme totalmente em língua não-inglesa. O filme conta a história de uma jovem
viúva que mantêm um pequeno comércio de mantimentos na cidade de Roma durante a
Segunda Grande Guerra Mundial. Alvo de vários bombardeios ela juntamente com
sua filha adolescente trilha o caminho de vários outros, abandona as cidades
e busca refúgio na região rural. Fruto dos temas do neo-realismo o filme
fala da situação da população rural da Itália, a queda do regime fascista de
Mussolini e os problemas recorrentes das invasões, tanto pelas forças nazistas
quanto posteriormente pelas forças dos países Aliados.
O neo-realismo
fora um movimento cinematográfico italiano que surgiu logo após a 2ª Guerra,
marcado por um forte cunho político com caráter de resistência as influências
estrangeiras. O movimento tem suas origens ainda dentro do regime fascista,
aprendendo as técnicas de propagação ideológica vindas da Alemanha nazista, a Itália de Mussolini também vai reestruturar toda a produção artística do país com o objetivo de
manter e propagar seus ideais políticos e partindo dessa indústria artística que
se forma, vai se restringindo cada vez mais a entrada de produtos vindos do
estrangeiro, principalmente os filmes hollywoodianos. Acabado a guerra as
forças aliadas vão tomar grande parte do chamado Comitato di Liberazione Nazionale (Comitê de Libertação Nacional),
governo provisório no período de transição e reestruturação política na Itália
e então a Comitato Temporaneo per la Cinematografia
(Comitê Temporário para Cinematografia) vai começar a propor uma série de leis
que regulamentem e fortaleçam a indústria nacional. Então se dá o choque de
forças internas e externas que vai se tornar a gênese do neo-realismo. Enquanto os grandes estúdios de Hollywood vão
buscar apoio nos militares para firmarem novamente suas produções no país, por
outro lado, os cineastas italianos vão tentar retomar suas produções antes
vetadas pelos telefoni Bianchi
(‘telefones brancos’, como ficaram conhecidos os filmes do regime fascista).
Daí surge a característica marcante dos filmes neo-realistas: a tentativa de se
obter o máximo da realidade pra os filmes fugindo das perspectivas escapistas de Hollywood. Os temas recorrentes nos filmes é
o trabalhador comum das cidades, as dificuldades da vida camponesa, o
desemprego, a fome, a situação econômica e política, etc.
O filme de De
Sica vai então retratar o desespero da população ante as constantes ameaças de
bombardeios e confrontos que se tornavam cada vez mais habituais nas cidades e
o despreparo de migrantes que formavam pequenos aglomerados para fugir da
guerra e que muitas vezes passavam fome pela dificuldade em cultivar ou mesmo a
escassez de alimentos. O filme ainda traz as conseqüências da Batalha de Monte
Cassino ou A Batalha de Roma, que de um ponto estratégico serviu para o avanço
das Forças Aliadas para a capital Roma e minar as principais bases das Forças
do Eixo; e o registro de uma série de casos de estupros cometidos
principalmente por soldados marroquinos que estavam nos exércitos aliados.
Marcado por uma forte crítica aos regimes nazi-fascistas e a falta de ação
política da própria população italiana, um filme intenso e marcante sobre a reconstrução de uma
sociedade marcada e transformada pelos horrores da guerra.

Muito bom esse texto. Você tinha que se profissionalizar logo nessa área... Parabéns!
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